Sempre que alguém me fala sobre paciência, logo minha mente me remete ao jogo de cartas, que sempre jogo no computador.
Se observarmos bem, há muitas características do jogo que se assemelham a vida real. Como os desafios que temos de enfrentar, para os quais precisamos de muitas doses da preciosa paciência.
Vamos imaginar uma situação difícil. Várias cartas para serem arrumadas. Equipes a serem agrupadas... Enfim... Você precisa transformar aquela bagunça em uma linda e sinérgica composição. E o tempo está rodando. Sua pontuação também.
Você precisa fazer com que aquelas cartas “presas” nos montes fiquem visíveis para que você possa enxergar e escolher os recursos certos, as combinações perfeitas. Principalmente para encontrar as principais cartas: as de base, que servirão para que todas as outras se organizem, e as cartas chave, que farão com que todas as outras se encaixem também.
É preciso ter paciência, e entender sobre ordem. A ordem é fundamental. É imprescindível saber por onde começar, e planejar seus movimentos a cada cartada.
Tem horas que o jogo flui. As cartas certas surgem umas após as outras, como num ciclo de sorte. Mas tem horas que o jogo trava. O mais difícil é encontrar aquela determinada carta que possibilitaria todo o ciclo a andar outra vez. Parece não haver mais movimentos, mas então aparece uma saída lógica... Um caminho difícil, porém ajudará a chegar até o objetivo. Move-se uma fileira toda de cartas. Muitos de seus planos iniciais se abalam. Nada mais é igual. Mas algumas decisões severas devem ser tomadas em situações críticas.
Mas também há aquele jogo que de início, parece estar bom. Parece estar fácil. Tudo se move rapidamente. As cartas se encontram como um passe de mágica. Mas de repente, não há mais movimentos disponíveis. Nem manobras, improvisos, nada. O computador sugere que o jogo seja reiniciado. Na vida isso não acontece. As circunstâncias te cobram resultados. Não há escolhas. Desistir e recomeçar não são opções. A cabeça pensa em mil coisas, mil possibilidades, mas nenhuma delas com o potencial necessário para atingir o tão esperado Balé de Cartas... O Grand Finale... O resultado.
O tempo continua correndo. O deadline cada vez mais próximo, a pontuação já está negativa.
Daí você lembra que algumas limitações somos nós mesmos quem desenhamos. As regras são diferentes das de um jogo de cartas. Na vida, vale quase tudo.
Para alguns, desistir do jogo e começar de novo é a melhor opção. Para outros é inaceitável. É uma questão de honra terminar e vencer. Mesmo com baixa pontuação, mesmo com o tempo esgotado. Não vou parar agora. Quero saber onde vou chegar.
Mesmo quando eu pensar que acabou a paciência, eu esticarei os braços para alcançar aquela carta. Aquela última carta. A carta que me fará vencer.