quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sobre Paciência



      Sempre que alguém me fala sobre paciência, logo minha mente me remete ao jogo de cartas, que sempre jogo no computador.


      Se observarmos bem, há muitas características do jogo que se assemelham a vida real. Como os desafios que temos de enfrentar, para os quais precisamos de muitas doses da preciosa paciência.

      Vamos imaginar uma situação difícil. Várias cartas para serem arrumadas. Equipes a serem agrupadas... Enfim... Você precisa transformar aquela bagunça em uma linda e sinérgica composição. E o tempo está rodando. Sua pontuação também.
      Você precisa fazer com que aquelas cartas “presas” nos montes fiquem visíveis para que você possa enxergar e escolher os recursos certos, as combinações perfeitas. Principalmente para encontrar as principais cartas: as de base, que servirão para que todas as outras se organizem, e as cartas chave, que farão com que todas as outras se encaixem também.

      É preciso ter paciência, e entender sobre ordem. A ordem é fundamental. É imprescindível saber por onde começar, e planejar seus movimentos a cada cartada.
      Tem horas que o jogo flui. As cartas certas surgem umas após as outras, como num ciclo de sorte. Mas tem horas que o jogo trava. O mais difícil é encontrar aquela determinada carta que possibilitaria todo o ciclo a andar outra vez. Parece não haver mais movimentos, mas então aparece uma saída lógica... Um caminho difícil, porém ajudará a chegar até o objetivo. Move-se uma fileira toda de cartas. Muitos de seus planos iniciais se abalam. Nada mais é igual. Mas algumas decisões severas devem ser tomadas em situações críticas.

      Mas também há aquele jogo que de início, parece estar bom. Parece estar fácil. Tudo se move rapidamente. As cartas se encontram como um passe de mágica. Mas de repente, não há mais movimentos disponíveis. Nem manobras, improvisos, nada. O computador sugere que o jogo seja reiniciado. Na vida isso não acontece. As circunstâncias te cobram resultados. Não há escolhas. Desistir e recomeçar não são opções. A cabeça pensa em mil coisas, mil possibilidades, mas nenhuma delas com o potencial necessário para atingir o tão esperado Balé de Cartas... O Grand Finale... O resultado.


      O tempo continua correndo. O deadline cada vez mais próximo, a pontuação já está negativa.
      Daí você lembra que algumas limitações somos nós mesmos quem desenhamos. As regras são diferentes das de um jogo de cartas. Na vida, vale quase tudo.
      Para alguns, desistir do jogo e começar de novo é a melhor opção. Para outros é inaceitável. É uma questão de honra terminar e vencer. Mesmo com baixa pontuação, mesmo com o tempo esgotado. Não vou parar agora. Quero saber onde vou chegar.
      Mesmo quando eu pensar que acabou a paciência, eu esticarei os braços para alcançar aquela carta. Aquela última carta. A carta que me fará vencer.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre mim, o que sou, o que acho que sou e o que penso achar que sou


    Hoje estava refletindo sobre beleza, padrões impostos, o impacto na sociedade e tudo o mais. Sim. Eu tenho tempo pra isso.
    Sabe, sempre tenho aqueles meus momentos de pensar que eu seria mais feliz se eu tivesse os olhos azuis, e sem olheiras... Se eu fosse mais baixinha ou bem mais alta... Se eu tivesse um corpo igual ao da Beyoncé... Se eu tivesse testa e bochechas menores... Enfim: se eu não fosse eu mesma, essa “Abdulzida” que vos fala.
    Acho que todo mundo deve ter momentos parecidos, mas parando pra pensar, eu sempre achei que eu não estivesse realmente feliz deste jeito que sou. Nunca fui AQUELA MENINA bonita que todo mundo da escola paga um pau, nunca fui magra, nem estilosa, ou do grupinho “cool”, nem muito disputada... Acho que nem tantos corações assim eu devo ter partido.
    Mas nesses dias eu tenho pensado muito. Eu não preciso ser bonita. E por que precisaria sofrer pra ficar igual àquelas meninas da televisão... Inclusive, depende muito de como você classifica a beleza, tais meninas não são nem tão bonitas...
    Eu mesma não sei avaliar se muitos dos meus amigos são bonitos ou não. Se eu gosto da pessoa, ela é simpática, inteligente e sabe conversar, pra mim ela é linda... Não sei se é só comigo que acontece isso, mas eu procuro sempre ver algo de bom em cada pessoa... Encontrar a beleza dela.
    Mas não sei se é todo mundo que pensa assim, age assim. Tenho aquela insegurança boba de ficar imaginando o que os outros vão pensar... Aquela coisa fixada na cabeça de que a primeira coisa que vão reparar em mim é naquele determinado defeito, que no caso deve ter amanhecido acentuado naquele dia, mais do que nos outros.
     Isso porque tem gente que se liga em cada coisa fútil, que julga os outros pelos seus defeitos, pura e simplesmente. E não penso isso por acaso... É meio que um trauma de infância/adolescência, saca?
    É isso que estou querendo mudar no momento.  Essa insegurança que me consome. E sabe por quê? Gosto de ser quem eu sou. É difícil às vezes, mas pra todo mundo deve ser... Talvez se eu tivesse olhos azuis, fosse mais alta e magra, tipo modelo, e tivesse testas e bochechas menores eu não seria quem sou agora, não pensaria o que penso, não estaria no mesmo lugar que estou, não teria os mesmos amigos... É muita coisa para se abrir mão, apenas por uma questão de aparência. Minhas prioridades talvez fossem outras, se eu fosse diferente. Não posso prever quais seriam, pois se eu fosse outra pessoa, mesmo que somente de aparência, talvez não tivesse seguido o mesmo caminho que segui, e que foi e tem sido um trajeto tão legal! E o pior! Abrir mão de tudo isso e ainda correr o risco de não me achar bonita, mesmo assim!
     Então, sabe? Concluí que não mudaria nada. Sou a Adriana, aquela menina dos cabelos curtos, pintados de vermelho, que tem os olhos quase pretos, gordinha, que gosta de filosofia e ciências, mandona, que ama gatos, que tem aracnofobia, administradora, indecisa, inconstante, piadista, neurótica [que tem quase 22 anos, mas ainda se sente como se tivesse 12!]... No fim, parando pra pensar, sou bonita sim. Do meu jeito. Sou um indivíduo complicado. Mas quem gosta de coisas fáceis de se entender é porque não aceita desafios!
    Continuo então nesta saga que é descobrir quem eu sou... filtrar o que penso... chegar às minhas conclusões e verdades particulares.

No fim, estou sofrendo abdução no meu próprio mundo.