quarta-feira, 18 de julho de 2012

Conclusão

Já tem um tempo que eu não escrevo mais... Mas tudo isso tem um porquê... 

Faz praticamente um ano que eu comecei a escrever por aqui.
Estava numa fase ruim, de questionamentos e introspecção, e achei que escrever, mesmo que fosse pra ninguém ler, seria uma boa saída para entender mais sobre as pedras que estavam no meu caminho e tentar elaborar um plano para removê-las.

Então eu fiz. Escrevi problemas, escrevi pensamentos, escrevi angustias... Enfim, escrevi o que se passava pela minha cabeça enquanto aconteciam mil coisas  no "mundo exterior".

Mudanças, mudanças e mais mudanças.

Mudei algumas percepções, atitudes, filosofias... Removi alguns hábitos, pessoas, atos...
Mas, mais que isso, adicionei aquela coragem que faltava, adicionei mais amor e mais sonhos...

Não sou mais aquela doida que briga com dois "egos" que pensam diferente... Eles nunca existiram!
Eles sempre foram um... E só descobri depois. Depois que eu me permiti fazer o que queria, pois aquele "eu-censurador" não fazia parte de mim realmente.
E então descompliquei, refiz... Naquele caderno em branco, tô escrevendo aquele livro novo que comentei, e é tudo inédito. 


Acho que atingi o meu propósito por aqui...
Eis minha conclusão.

Em algum lugar de outro planeta, encontrei meu lugar perfeito... E eu nem imaginava, no dia em que minha "viagem" (na maionese hahaha) começou, que seria esse lugar aqui, onde estou agora. E não é que aquela máxima de que "O que você procura pode estar bem embaixo do seu nariz" é verdadeira?! 


- Fim da história, então? 
- Não. Começo!





"Quem um dia irá dizer

Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?"

sexta-feira, 20 de abril de 2012

adrianismos


Eu me invento, e reinvento. Eu me digo, e contradigo.

Sou essa. Essa daí. Essa daqui. Essa eu.

E não me entendo. Não. Nunca entendi. Acho que a graça da vida é tentar se entender, tentar se encontrar. Não em algum lugar, nem em alguém, nem em algo. Mas em si. Encontrar em mim.

Tá, eu sou cheia de defeitos. Basta olhar no espelho. Basta olhar para dentro. Mas tenho qualidades também, que posso ver quando procuro nestes mesmos lugares.

Sou de tudo um pouco. Um yin-yang personificado. Parte boa, parte ruim.

Cansei de tentar saber de mim por detalhes. Sou feliz por ser assim, por estar aqui, eu comigo.Pois enfim, não sou nenhuma combinação de coisas exatas, explicáveis, tangíveis, visíveis. Sou uma pessoa como qualquer outra: carne, osso, coração.

 E isso encerra parte da minha guerra.

O que vou escrever na próxima página?




sexta-feira, 23 de março de 2012

Xeque-Mate

Primeiro vem a defesa.
A competição, como sempre, é contra mim.
Um passo deste lado, e o outro lado recua, como que fugindo do que mais possa ser.
Parte dos peões se perdem na guarda pelas peças de maior valor.
E as peças se misturam, os riscos aumentam, os reinos se aproximam.


Então chego ao ponto em que a cada movimento, o outro lado ataca, deixando meu jogo em Xeque.
Mesmo se eu voltar. Mesmo se eu tentar me esconder atrás daquela outra peça...
Então, admito o inevitável: Xeque-Mate.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

direction

O fato que eu não consigo controlar tudo, pra que saia exatamente do jeito que quero, eu já sei. 
Tem sempre o inesperado. 
Pode ser algo ruim? Pode.
 Mas trabalhando com minhas últimas experiências em acontecimentos inesperados, acho que posso começar a gostar disso. 
Perder o rumo de vez em quando, sabe?

Por que não?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Pela metade

Estava, há pouco, conversando com uma querida amiga, que nesse momento passa por uma pequena instabilidade em sua vida.

Ela me disse uma coisa que me fez parar pra pensar: “O problema é que eu não sei fazer as coisas pela metade. Não sei amar pela metade”, e ainda disse que queria aprender a “ser metade”, apesar de não achar que essa intensidade de se dedicar “por inteiro” fosse um defeito. E talvez tudo fosse mais fácil se nos deixássemos metade para os outros e guardássemos a outra metade inteiramente e exclusivamente para quem merece mais: nós mesmos...
E talvez seja mesmo mais fácil...

Logo olhei pra dentro, como sempre faço. A graça das minhas reflexões é aplica-las em minha própria realidade e assim enlouquecer um pouquinho com meus pensamentos que ficam dançando aqui na minha cabeça... Deve ser normal, né?
Pensei em tudo. No quanto eu guardo de mim para mim. E talvez eu guarde mesmo uma metade. Mas para que? Por quê? Não sei. Tentei pensar numa razão pra isso e não encontrei.
Pensei também no quanto eu dedico. Tenho dedicado metade, talvez... Tanto para mim quanto para as outras pessoas/coisas. E então? A outra metade eu escondo? Escondo de quem?

Pensando mais eu acabei por perceber que escondo uma metade da outra. Já cansei de conversar com o espelho e discordar dele. Sempre me foi um grande impasse essa “divisão de mim” (e foi onde tudo começou, não foi?). E talvez eu tenha entendido, com esse diálogo, com essa reflexão, o motivo de tudo isso: sou metade.
Logo me lembrei de meu poema favorito, de Fernando Pessoa, que o escreveu como Ricardo Reis:

Para ser Grande

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”

Nossa! Eu sempre admirei estas palavras, sempre achei que fossem inspiradoras. Mas nunca as havia sentido como senti agora, quando reli. Olhei novamente e vi exatamente o que sinto falta: ser inteira.
Talvez seja mais uma questão de coragem, sabe? Coragem para ver que “nada teu exagera ou exclui”, pois tudo é parte de você. E também coragem para por “quanto és no mínimo que fazes”, para arriscar mais, encarar de vez o que se quer, sem ficar julgando o que eu quero e deixo de querer.

Eu já comentei por aqui em outros textos que eu me limito muito, me censuro, me impeço. E de que? De ser inteira. E por isso sou menos sincera comigo. Muitas vezes não me permito ver a verdade da outra metade. E essa verdade é a minha verdade também!
Há uma enorme dúvida nisso tudo. E por mais que esse fato venha a me trazer problemas futuros, tô pensando em me esforçar pra apagar a linha que divide minhas metades, hoje tão antagônicas, e fazer delas uma só. Uma eu. Sincera, verdadeira e espontânea. Para mim. Para tudo.

Termino com mais um poema... de Oswaldo Montenegro:

Metade

“Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.”