quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Guardar pra si - Ignorar - Deixar pra lá

Eu sei que você já fez isso. Você já se incomodou com muita coisa e guardou pra si. Já ficou magoado com algo mas preferiu ignorar. Já se irritou com alguém mas decidiu deixar pra lá.
De uma forma prática, é sempre mais fácil... Você evita discussões, evita desgastes. Mas e você?
Pra onde vai essa carga? Você pode não perceber de início, mas certamente está criando um acúmulo de coisas ruins, e um dia a bomba vai explodir.


Então pra que deixar pra amanhã o que você pode resolver hoje?
Eu sei que é difícil. Nem sempre a gente consegue coragem pra aquela conversa, pra dar aquela bronca, pra "soltar o verbo" quando precisa.
As vezes a gente tem consciência que aquilo vai doer... que vai tocar a ferida aberta. Então a gente põe um band-aid na situação, pra parar de ver o machucado, e tenta fingir que ele não dói, que ele não incomoda.
Daí, quando a gente menos espera, está repleto de band-aids por todas as partes, e aquela dor não dá mais pra segurar, pra não expor.


E então? Você vai fazer o que agora? 
Tem que tratar ferida por ferida. Mas deixamos acumular tanto, por tanto tempo, que nem nos lembramos mais o motivo daquela primeirazinha que surgiu, aquele band-aid mais velho...


Só então percebemos o quanto foi idiotice guardar. Fingir que não é nada.


A culpa é de quem sofre. De quem se deixou levar pela fraqueza de Guardar pra si - Ignorar - Deixar pra lá.




"Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor..."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A incoerência e a confusão do hoje

Realmente eu me deixo levar e acabo não respeitando o que eu mesma quero. Eu sempre deixo passar, eu sempre deixo pra lá.
É difícil definir o que quero e o que espero. O que gostaria que mudasse. Tem tanta coisa que precisa mudar. Eu preciso de mudança, preciso de novidades na minha vida, que por tanto tempo anda no mesmo passo. Preciso de uma quebra na rotina, preciso sair da estrada firme e andar um pouco pelo deserto do incerto... Ter aquele frio na barriga do inesperado...
Andar pelas mesmas ruas, ver as mesmas paisagens... Chega uma hora que nem reparo mais. É como se eu fosse automática, e não estivesse viva. Mas caramba, eu estou! Eu sou alguém! Eu tenho pensamentos, anseios, vontades... E principalmente personalidade.
Tenho sonhos. E tenho medo de vir a ser quem eu não sou exatamente pelo fato de não estar seguindo estes meus sonhos. Entende? Na verdade não sei se quero, e nem eu entendo.
Por que tudo na vida tem que ser tão definitivo? Por que tudo tem que ser tão sério, tão certo, tão regular?
Quero uma aventura, quero ter aquele medo gelado de fazer algo bom, aquela ansiedade boba de viver aquele momento... Quero um dia quente com sol, seguido por uma madrugada de neve. Quero intensidade, quero vontade. Quero ser surpreendida por atitudes, por momentos.
Não quero ter que precisar fugir. Não quero fugir de nada, e de nenhuma forma. Quero saborear cada instante com minha consciência plena. Porque quero que seja bom de verdade. Não quero ter que forçar nada. Os momentos tem que ser bons e sóbrios, pra não se desperdiçar. Pra não se perder nem se enganar. Quero deixar tudo guardado aqui, na memória, claro como água, pra poder fazer o que faço de melhor: recordar, e suspirar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Reflexão sobre aniversário.


Imagem meramente ilustratuva... ahahaha

Não adianta negar. Todo ano eu espero pelo bendito dia 13/09. Não é por algum anseio em particular... Talvez apenas pelas boas lembranças que tenho desta data, de anos passados. Encher bexigas, fazer brigadeiros, decorar as paredes, esperar os amigos da escola, ver aqueles primos que você não via há tempos... brincar, todos descalços no quintal, até cansar.
Hoje, aniversário não significa mais isso pra mim. Mas nem é de se esperar, aos 22 anos, certo? Enfim, agora as expectativas são outras... Usei meu dia de aniversário para fazer algumas reflexões acerca da minha vida. Ainda não terminei de refletir, mas admito que isto seja algo bastante complexo, apesar de saudável.
Apesar dos pesares, das confusões e conflitos internos, brigas comigo mesma, caminhos que não sei quais seguir, dúvidas, dramas, vontades e conclusões que eu ainda não cheguei (nossa!), refleti que estou muito feliz. Sinto que estou cercada de pessoas que realmente se importam comigo, e que eu também quero muito bem. Nenhum caminho é fácil, eu sei... Talvez essa seja a graça, a emoção. Às vezes a gente precisa de um melodrama mexicano pra abalar nossas estruturas, mexer com nosso comodismo, nos fazer pensar.
Neste novo ano, não vou estipular metas tangíveis. Vou apenas focar em ser feliz. Em viver. Em ser quem eu sou livre de qualquer amarra, ódio, limitação, preconceito, medo. Ou pelo menos tentar tudo isso, planejando aí uma melhoriazinha contínua de tudo, pra funcionar melhor, pra viver melhor, pra me agradar mais. Não que hoje as coisas deixem de me agradar, mas tudo pode ser sempre melhor, sempre positivo, sempre ascendente.
Se doer, a gente cuida. Se cair, a gente levanta. Se não der certo, a gente corrige. Se errar, a gente tenta de novo. Se der medo, a gente arrisca mesmo assim. Eu peco muito no meu pensar, no meu próprio mecanismo de me fazer calar diante das coisas. Neste ano, a partir deste momento, autenticidade será minha ferramenta para buscar ser cada vez mais feliz.
Que se dane o que vão pensar, dizer, achar. Dessa vez eu vou fazer. E fazer o que eu quiser.
Porque quanto mais a gente pensa que amadurece, mais a gente descobre que é criança, e tem muito que aprender. Então se me perguntarem de novo como eu me sinto agora mais velha, vou responder “Me sinto, assim, criança...”.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O conflito

É como se em mim, funcionassem duas pessoas diferentes. É como se houvesse duas “eus” que não se dão muito bem. Não uma “verdadeira” e uma “falsa”. Ambas reais, porém diferentes.
Creio que para as pessoas ao meu redor, esses conflitos são imperceptíveis. Sou sempre aquela mesma “eu”. Mas para mim, essa situação é perturbadora.
Imagino-me dividida: um lado espontâneo e um lado moralmente fabricado. O segundo filtra o primeiro. O primeiro se oprime, e às vezes tenta ser mais forte que o segundo, porém este não permite.
Tantas coisas por dizer, tanto que eu penso sem querer, mas não digo. Minha moral fabricada às vezes não gosta do que ouve. Nem tanto por ser moral, mas que por ser fabricada, prefere o caminho menos complicado. Algumas verdades são engolidas por este filtro, que não as deixa passar.
“O que iriam pensar?”; “Eu não deveria pensar isso. -apagar-”; “Só iria dificultar. Então para que idealizar isso?”; “Ah, Adriana boba, nem ouse dizer isso, ninguém vai concordar!”; “Má ideia! Não posso dizer isso!”... Esses e outros tantos pensamentos similares, sempre me limitando. Um dos motivos de eu escrever pouco por aqui também é este... Minha moral fabricada acha que é idiotice tudo isso que ouso escrever. Tudo o que engasgo, que desabafo, que tento dizer de mim.
Sabe, queria romper algumas amarras... Mas me acostumei tanto a tantas coisas que me tornei alguém sem liberdade de mim. Sou tanto mais que isso, mas não me permito.