domingo, 25 de dezembro de 2011

Série - Reflexões de fim de ano Parte I

Chega o natal, e cai a ficha de que o ano está, de fato, acabando.

Na maior parte das vezes, eu faço listinhas de objetivos para alcançar no próximo ano, mas foi diferente com 2011... Eu não fiz listinha alguma, pois não sabia, de fato, o que esperar deste ano...

Olhando pra trás eu vejo que, poxa vida! Aconteceu taaaaanta coisa nesse ano que eu nem acredito. E todas essas coisas, eu não esperava nenhuma delas.
Mudei meu rumo várias vezes, pessoas partiram, pessoas chegaram tão de repente e abalaram estruturas, aprendi mil coisas novas, decidi tantos outros detalhes, acendi algumas luzes e, acima de tudo, aprendi sobre mim mesma, me surpreendendo a cada dia com o que eu posso encontrar aqui, nos meus próprios pensamentos...

Agora o ano acabou, e... Nossa. Não cheguei a realizar nenhum grande feito, mas estou feliz com o saldo final de 2011... Simplesmente porque este ano me encheu de expectativas, me encheu de vontade de viver o agora, de ser mais intensa nas minhas coisas...
Com minhas auto descobertas e tudo o mais, resolvi que minha maior meta pra 2012 é perder o medo. É arriscar mais e deixar um pouco do meu excesso de cautela de lado. Assim como eu já havia dito em alguns posts atrás: quero simplificar. Talvez minha complexidade toda me faça muito mal e me faça perder muitas oportunidades legais...

Por fim, termino com uma frase que lí por aí, num compartilhamento de facebook da vida: não espere que o próximo ano seja melhor. Espere que você possa ser melhor no próximo ano.


E é isso :D

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Motivos...

Nesses últimos tempos, estive pensando muito sobre o motivo das coisas.

Nunca fui uma pessoa que julga essencial buscar exatidão em tudo, principalmente quando os assuntos rondam as divagações da minha cabeça.
Mas dessa vez é diferente. Tem coisas que não tem motivo aparente para acontecer. Você vai lá, pesa, mede, calcula e percebe que não há alguma razão para você se sentir daquela forma, mas você está lá... Sentindo. Nem razões para pensar tudo aquilo, mas está lá... Pensando!
Naquele monte de coisas sem por que.

Você tenta encontrar defeito, tenta se censurar, tenta descartar tudo e viver normalmente como se nada estivesse acontecendo. Mas não dá. Cada vez que você olha pra dentro, percebe que não consegue se vencer.

Daí surge novamente aquele embate sobre o qual já comentei aqui. Eu contra eu mesma. Meu lado racional contra meu lado subjetivo.

Meu eu racional sabe dos pontos positivos, dos pontos negativos, das ponderações... Ele sabe de tudo. E sabe o que seria mais sensato... Mas meu lado subjetivo desobedece descaradamente.

É como uma mãe que aconselha o filho a não continuar, pois sabe que aquilo que está prestes a aprontar é errado e só servirá para cair e se machucar.

Mas como um filho teimoso, meu eu subjetivo tenta se desprender dos medos e pular do precipício... Só para ver onde é que ele vai parar e no que vai dar,  enfim...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Reflexões

Hoje acordei com uma sensação diferente.
Talvez tenha sido pelo fato de ter acordado assustada com um combo de pesadelo + trovoadas da chuva que estava caindo lá fora.
Mas isso não fez com que meu dia fosse ruim, ou até mesmo tenso.
Talvez o choque do susto duplo ao acordar tivesse dado mais claridade a algumas coisas que há tempos dançavam desconexas em minha mente.
Talvez este mesmo choque tenha feito com que algumas coisas se pusessem em seu devido lugar.

Não. Não é tão difícil.
A linha que divide o certo do errado é imaginária.
E relativa. ‘E relativa à que?’ – se me perguntarem: Ao que eu quiser.

Enfim... acho que meus pensamentos despertaram com o susto.

Como diria aquela música do Barão Vermelho: “Pra quem tem coragem de ouvir, amanheceu o pensamento, que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento...”

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sobre anseios, esperanças e tudo o mais que quero pra mim.

Anseios remetem à ansiedade, que logo já nos traz a imagem de algo ruim.
Mas quando digo que falarei sobre isso, quero dizer daqueles anseios bons... Aquelas borboletas no estômago... Aquela vontade, aquela inquietude, aquele medo... Aquilo tudo com ar de esperança, de criança que está prestes a conhecer o novo, de explorar o desconhecido.

Sempre fui bastante impulsiva... Para mim era “seja o que vier”, simplesmente agia, por tantas vezes sem pensar... Daí fica mais difícil lidar com as consequências...
Dá para pensar e preparar coisas melhores quando se tem planos. Principalmente quando se trata de uma pessoa tão inexata quanto eu, agir por impulso acaba transformando tudo em desordem, então é preciso refletir mais.

Tenho tentado seguir planos, passos um pouco mais organizados, para alcançar tudo o que quero pra mim.
Demora um pouco, sim. Leva mais tempo...
Mas qual é a premissa da pressa, aquela grande inimiga da perfeição?

Não digo que seja perfeição que eu esteja buscando. Não! Apenas a felicidade mesmo. Aquela felicidade que fica nas pequenas coisas. Tais detalhes que quando a gente está com pressa, a gente não vê.
Agora, se me pergunta: “O que é que você tanto diz que quer para si?”...

Novos dias, lugares legais, bom humor, pessoas indispensáveis, realizações profissionais, aprendizados, outros amores, diferentes ares, aromas e cores. Isso nem resume metade das minhas expectativas!
São tantas coisas... Tantos destes detalhes que falei.

A palavra de ordem agora é SIMPLIFICAR, para tentar deixar as coisas mais transparentes por aqui, pela minha cabeça. Talvez se ficar um pouco mais simples, (como eu sei que pode ficar) os medos poderão ser colocados de lado, e me dar mais espaço...

De complexidade, a minha própria já é suficiente.

domingo, 13 de novembro de 2011

Lembrar.

Abri o livro. Aquele que há tempos estive querendo ler.

Mas era tanta coisa, tantas lembranças emaranhadas correndo simultaneamente pela minha cabeça, que não consegui me concentrar.

Me esforcei. Apertei os olhos, voltei para o livro. O conto era interessante. Falava de amores, amizades e conflitos. Mas, mais uma vez me perdi.

Me perdi, talvez, naquela segunda página que me fez lembrar de um momento da minha infância. Ou mesmo na primeira página, onde já estava totalmente absorta em minhas próprias lembranças. Não consegui prestar atenção na estória que estava escrita naquele livro empoeirado, comprado no sebo. Me perdi mesmo foi na estória de tudo que aconteceu. Aquela que o tempo escreveu em minha memória. Aquela que por anos ignorei, para não precisar refletir sobre certas coisas.

Mas agora eu queria. Lembrava-me dos fatos, em ordem, como páginas escritas de coisas que vivi. Empolguei-me em prosseguir, pois havia algumas memórias em particular que eu gostaria muito de reler. Algumas páginas de memórias que talvez me fizessem entender tudo de maneira mais fácil. Memórias que esclareceriam como eu vim parar aqui. Neste momento. Neste destino.

O curioso é que, quanto mais eu me aproximava de recordar aqueles fatos que eu tanto queria, minhas memórias começavam a ficar confusas e nebulosas. Por mais que eu me esforçasse em lembrar, me concentrasse, parecia que tudo se esvaia numa nuvem cinza-escura bastante densa.

Lembrava de alguns fragmentos, e mentalmente tentava organizá-los como num quebra-cabeças. Não tive êxito. Não importava como eu tentasse, as partes não se encaixavam de forma coerente.

Pensei que talvez eu tivesse me fechado tanto, que acabei por guardar algumas memórias para que ninguém, nem mesmo eu, pudessem saber delas.

Teria eu escrito meus pensamentos num velho manuscrito, num idioma extinto, trancado com um cadeado que nem eu poderia abrir?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Recomeçar.

Recomeçar... pra mim esta palavra soa tão revigorante e estimulante.
Mas não é assim tão fácil, o ato de recomeçar.
Jogar tudo pra trás, voltar ao marco zero... Ter toda a expectativa de que, melhor que antes, você vai começar de novo, uma nova história, num papel em branco. 
Mas e todos os rascunhos? Todos os esboços, todas as certezas?
Essa é a parte que eu me refiro como a mais dura de todas. Desapegar. Amassar os rascunhos, jogá-los no lixo. Excluir os esboços salvos, excluir backups. Eliminar tudo. Limpar. Se purificar. Comprar um caderno novo. Escrever novamente aquela primeira linha, e de um jeito diferente.
Escrever com uma caneta de outra cor. Fazer uma loucura, um rabisco, uma letra diferente. Mudar.

Respirar fundo sem tentar lembrar do que outrora esteve escrito naquela outro texto descartado. Buscar inspiração em outros livros, outras músicas, outras flores. Buscar assuntos inusitados, arriscados, imprecisos, pra poder ousar.

Ah, a ousadia. Virtude que poucos tem. Quisera eu também ter o talento para ousar mais. Ter coragem de expressar sempre o que quero, o que vai me deixar feliz de fato, o que realmente sinto, sem preocupar-me com o que irão pensar ou o que irão falar.

A gente se deixa levar e perde a coragem... Alguma insegurança boba todos temos. Aquela auto censura... Aquilo de revisar tudo o que foi escrito e pensar: "Isso está uma droga! Pura estupidez! Eu estava errado!"... Mas acabamos por nos curvar tanto diante de nossa própria censura, que esquecemos o quanto é saudável discordar de nós mesmos. O quanto é construtivo o pensamento de auto crítica e o quanto isso nos faz melhorar continuamente.

Eu já sei. Já entendo. Tenho todos os ingredientes nas mãos para o livro perfeito do que será de mim. Mas sei que como ser humano que sou, ao menos algum desses comuns enganos vou cometer. Sempre vem aquela lembrança daquele texto. Aquele outro começo, o primeiro começo. Aquele que não deu certo. Sim. Aquele que eu resolvi virar a página para poder recomeçar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Guardar pra si - Ignorar - Deixar pra lá

Eu sei que você já fez isso. Você já se incomodou com muita coisa e guardou pra si. Já ficou magoado com algo mas preferiu ignorar. Já se irritou com alguém mas decidiu deixar pra lá.
De uma forma prática, é sempre mais fácil... Você evita discussões, evita desgastes. Mas e você?
Pra onde vai essa carga? Você pode não perceber de início, mas certamente está criando um acúmulo de coisas ruins, e um dia a bomba vai explodir.


Então pra que deixar pra amanhã o que você pode resolver hoje?
Eu sei que é difícil. Nem sempre a gente consegue coragem pra aquela conversa, pra dar aquela bronca, pra "soltar o verbo" quando precisa.
As vezes a gente tem consciência que aquilo vai doer... que vai tocar a ferida aberta. Então a gente põe um band-aid na situação, pra parar de ver o machucado, e tenta fingir que ele não dói, que ele não incomoda.
Daí, quando a gente menos espera, está repleto de band-aids por todas as partes, e aquela dor não dá mais pra segurar, pra não expor.


E então? Você vai fazer o que agora? 
Tem que tratar ferida por ferida. Mas deixamos acumular tanto, por tanto tempo, que nem nos lembramos mais o motivo daquela primeirazinha que surgiu, aquele band-aid mais velho...


Só então percebemos o quanto foi idiotice guardar. Fingir que não é nada.


A culpa é de quem sofre. De quem se deixou levar pela fraqueza de Guardar pra si - Ignorar - Deixar pra lá.




"Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor..."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A incoerência e a confusão do hoje

Realmente eu me deixo levar e acabo não respeitando o que eu mesma quero. Eu sempre deixo passar, eu sempre deixo pra lá.
É difícil definir o que quero e o que espero. O que gostaria que mudasse. Tem tanta coisa que precisa mudar. Eu preciso de mudança, preciso de novidades na minha vida, que por tanto tempo anda no mesmo passo. Preciso de uma quebra na rotina, preciso sair da estrada firme e andar um pouco pelo deserto do incerto... Ter aquele frio na barriga do inesperado...
Andar pelas mesmas ruas, ver as mesmas paisagens... Chega uma hora que nem reparo mais. É como se eu fosse automática, e não estivesse viva. Mas caramba, eu estou! Eu sou alguém! Eu tenho pensamentos, anseios, vontades... E principalmente personalidade.
Tenho sonhos. E tenho medo de vir a ser quem eu não sou exatamente pelo fato de não estar seguindo estes meus sonhos. Entende? Na verdade não sei se quero, e nem eu entendo.
Por que tudo na vida tem que ser tão definitivo? Por que tudo tem que ser tão sério, tão certo, tão regular?
Quero uma aventura, quero ter aquele medo gelado de fazer algo bom, aquela ansiedade boba de viver aquele momento... Quero um dia quente com sol, seguido por uma madrugada de neve. Quero intensidade, quero vontade. Quero ser surpreendida por atitudes, por momentos.
Não quero ter que precisar fugir. Não quero fugir de nada, e de nenhuma forma. Quero saborear cada instante com minha consciência plena. Porque quero que seja bom de verdade. Não quero ter que forçar nada. Os momentos tem que ser bons e sóbrios, pra não se desperdiçar. Pra não se perder nem se enganar. Quero deixar tudo guardado aqui, na memória, claro como água, pra poder fazer o que faço de melhor: recordar, e suspirar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Reflexão sobre aniversário.


Imagem meramente ilustratuva... ahahaha

Não adianta negar. Todo ano eu espero pelo bendito dia 13/09. Não é por algum anseio em particular... Talvez apenas pelas boas lembranças que tenho desta data, de anos passados. Encher bexigas, fazer brigadeiros, decorar as paredes, esperar os amigos da escola, ver aqueles primos que você não via há tempos... brincar, todos descalços no quintal, até cansar.
Hoje, aniversário não significa mais isso pra mim. Mas nem é de se esperar, aos 22 anos, certo? Enfim, agora as expectativas são outras... Usei meu dia de aniversário para fazer algumas reflexões acerca da minha vida. Ainda não terminei de refletir, mas admito que isto seja algo bastante complexo, apesar de saudável.
Apesar dos pesares, das confusões e conflitos internos, brigas comigo mesma, caminhos que não sei quais seguir, dúvidas, dramas, vontades e conclusões que eu ainda não cheguei (nossa!), refleti que estou muito feliz. Sinto que estou cercada de pessoas que realmente se importam comigo, e que eu também quero muito bem. Nenhum caminho é fácil, eu sei... Talvez essa seja a graça, a emoção. Às vezes a gente precisa de um melodrama mexicano pra abalar nossas estruturas, mexer com nosso comodismo, nos fazer pensar.
Neste novo ano, não vou estipular metas tangíveis. Vou apenas focar em ser feliz. Em viver. Em ser quem eu sou livre de qualquer amarra, ódio, limitação, preconceito, medo. Ou pelo menos tentar tudo isso, planejando aí uma melhoriazinha contínua de tudo, pra funcionar melhor, pra viver melhor, pra me agradar mais. Não que hoje as coisas deixem de me agradar, mas tudo pode ser sempre melhor, sempre positivo, sempre ascendente.
Se doer, a gente cuida. Se cair, a gente levanta. Se não der certo, a gente corrige. Se errar, a gente tenta de novo. Se der medo, a gente arrisca mesmo assim. Eu peco muito no meu pensar, no meu próprio mecanismo de me fazer calar diante das coisas. Neste ano, a partir deste momento, autenticidade será minha ferramenta para buscar ser cada vez mais feliz.
Que se dane o que vão pensar, dizer, achar. Dessa vez eu vou fazer. E fazer o que eu quiser.
Porque quanto mais a gente pensa que amadurece, mais a gente descobre que é criança, e tem muito que aprender. Então se me perguntarem de novo como eu me sinto agora mais velha, vou responder “Me sinto, assim, criança...”.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O conflito

É como se em mim, funcionassem duas pessoas diferentes. É como se houvesse duas “eus” que não se dão muito bem. Não uma “verdadeira” e uma “falsa”. Ambas reais, porém diferentes.
Creio que para as pessoas ao meu redor, esses conflitos são imperceptíveis. Sou sempre aquela mesma “eu”. Mas para mim, essa situação é perturbadora.
Imagino-me dividida: um lado espontâneo e um lado moralmente fabricado. O segundo filtra o primeiro. O primeiro se oprime, e às vezes tenta ser mais forte que o segundo, porém este não permite.
Tantas coisas por dizer, tanto que eu penso sem querer, mas não digo. Minha moral fabricada às vezes não gosta do que ouve. Nem tanto por ser moral, mas que por ser fabricada, prefere o caminho menos complicado. Algumas verdades são engolidas por este filtro, que não as deixa passar.
“O que iriam pensar?”; “Eu não deveria pensar isso. -apagar-”; “Só iria dificultar. Então para que idealizar isso?”; “Ah, Adriana boba, nem ouse dizer isso, ninguém vai concordar!”; “Má ideia! Não posso dizer isso!”... Esses e outros tantos pensamentos similares, sempre me limitando. Um dos motivos de eu escrever pouco por aqui também é este... Minha moral fabricada acha que é idiotice tudo isso que ouso escrever. Tudo o que engasgo, que desabafo, que tento dizer de mim.
Sabe, queria romper algumas amarras... Mas me acostumei tanto a tantas coisas que me tornei alguém sem liberdade de mim. Sou tanto mais que isso, mas não me permito.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sobre Paciência



      Sempre que alguém me fala sobre paciência, logo minha mente me remete ao jogo de cartas, que sempre jogo no computador.


      Se observarmos bem, há muitas características do jogo que se assemelham a vida real. Como os desafios que temos de enfrentar, para os quais precisamos de muitas doses da preciosa paciência.

      Vamos imaginar uma situação difícil. Várias cartas para serem arrumadas. Equipes a serem agrupadas... Enfim... Você precisa transformar aquela bagunça em uma linda e sinérgica composição. E o tempo está rodando. Sua pontuação também.
      Você precisa fazer com que aquelas cartas “presas” nos montes fiquem visíveis para que você possa enxergar e escolher os recursos certos, as combinações perfeitas. Principalmente para encontrar as principais cartas: as de base, que servirão para que todas as outras se organizem, e as cartas chave, que farão com que todas as outras se encaixem também.

      É preciso ter paciência, e entender sobre ordem. A ordem é fundamental. É imprescindível saber por onde começar, e planejar seus movimentos a cada cartada.
      Tem horas que o jogo flui. As cartas certas surgem umas após as outras, como num ciclo de sorte. Mas tem horas que o jogo trava. O mais difícil é encontrar aquela determinada carta que possibilitaria todo o ciclo a andar outra vez. Parece não haver mais movimentos, mas então aparece uma saída lógica... Um caminho difícil, porém ajudará a chegar até o objetivo. Move-se uma fileira toda de cartas. Muitos de seus planos iniciais se abalam. Nada mais é igual. Mas algumas decisões severas devem ser tomadas em situações críticas.

      Mas também há aquele jogo que de início, parece estar bom. Parece estar fácil. Tudo se move rapidamente. As cartas se encontram como um passe de mágica. Mas de repente, não há mais movimentos disponíveis. Nem manobras, improvisos, nada. O computador sugere que o jogo seja reiniciado. Na vida isso não acontece. As circunstâncias te cobram resultados. Não há escolhas. Desistir e recomeçar não são opções. A cabeça pensa em mil coisas, mil possibilidades, mas nenhuma delas com o potencial necessário para atingir o tão esperado Balé de Cartas... O Grand Finale... O resultado.


      O tempo continua correndo. O deadline cada vez mais próximo, a pontuação já está negativa.
      Daí você lembra que algumas limitações somos nós mesmos quem desenhamos. As regras são diferentes das de um jogo de cartas. Na vida, vale quase tudo.
      Para alguns, desistir do jogo e começar de novo é a melhor opção. Para outros é inaceitável. É uma questão de honra terminar e vencer. Mesmo com baixa pontuação, mesmo com o tempo esgotado. Não vou parar agora. Quero saber onde vou chegar.
      Mesmo quando eu pensar que acabou a paciência, eu esticarei os braços para alcançar aquela carta. Aquela última carta. A carta que me fará vencer.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre mim, o que sou, o que acho que sou e o que penso achar que sou


    Hoje estava refletindo sobre beleza, padrões impostos, o impacto na sociedade e tudo o mais. Sim. Eu tenho tempo pra isso.
    Sabe, sempre tenho aqueles meus momentos de pensar que eu seria mais feliz se eu tivesse os olhos azuis, e sem olheiras... Se eu fosse mais baixinha ou bem mais alta... Se eu tivesse um corpo igual ao da Beyoncé... Se eu tivesse testa e bochechas menores... Enfim: se eu não fosse eu mesma, essa “Abdulzida” que vos fala.
    Acho que todo mundo deve ter momentos parecidos, mas parando pra pensar, eu sempre achei que eu não estivesse realmente feliz deste jeito que sou. Nunca fui AQUELA MENINA bonita que todo mundo da escola paga um pau, nunca fui magra, nem estilosa, ou do grupinho “cool”, nem muito disputada... Acho que nem tantos corações assim eu devo ter partido.
    Mas nesses dias eu tenho pensado muito. Eu não preciso ser bonita. E por que precisaria sofrer pra ficar igual àquelas meninas da televisão... Inclusive, depende muito de como você classifica a beleza, tais meninas não são nem tão bonitas...
    Eu mesma não sei avaliar se muitos dos meus amigos são bonitos ou não. Se eu gosto da pessoa, ela é simpática, inteligente e sabe conversar, pra mim ela é linda... Não sei se é só comigo que acontece isso, mas eu procuro sempre ver algo de bom em cada pessoa... Encontrar a beleza dela.
    Mas não sei se é todo mundo que pensa assim, age assim. Tenho aquela insegurança boba de ficar imaginando o que os outros vão pensar... Aquela coisa fixada na cabeça de que a primeira coisa que vão reparar em mim é naquele determinado defeito, que no caso deve ter amanhecido acentuado naquele dia, mais do que nos outros.
     Isso porque tem gente que se liga em cada coisa fútil, que julga os outros pelos seus defeitos, pura e simplesmente. E não penso isso por acaso... É meio que um trauma de infância/adolescência, saca?
    É isso que estou querendo mudar no momento.  Essa insegurança que me consome. E sabe por quê? Gosto de ser quem eu sou. É difícil às vezes, mas pra todo mundo deve ser... Talvez se eu tivesse olhos azuis, fosse mais alta e magra, tipo modelo, e tivesse testas e bochechas menores eu não seria quem sou agora, não pensaria o que penso, não estaria no mesmo lugar que estou, não teria os mesmos amigos... É muita coisa para se abrir mão, apenas por uma questão de aparência. Minhas prioridades talvez fossem outras, se eu fosse diferente. Não posso prever quais seriam, pois se eu fosse outra pessoa, mesmo que somente de aparência, talvez não tivesse seguido o mesmo caminho que segui, e que foi e tem sido um trajeto tão legal! E o pior! Abrir mão de tudo isso e ainda correr o risco de não me achar bonita, mesmo assim!
     Então, sabe? Concluí que não mudaria nada. Sou a Adriana, aquela menina dos cabelos curtos, pintados de vermelho, que tem os olhos quase pretos, gordinha, que gosta de filosofia e ciências, mandona, que ama gatos, que tem aracnofobia, administradora, indecisa, inconstante, piadista, neurótica [que tem quase 22 anos, mas ainda se sente como se tivesse 12!]... No fim, parando pra pensar, sou bonita sim. Do meu jeito. Sou um indivíduo complicado. Mas quem gosta de coisas fáceis de se entender é porque não aceita desafios!
    Continuo então nesta saga que é descobrir quem eu sou... filtrar o que penso... chegar às minhas conclusões e verdades particulares.

No fim, estou sofrendo abdução no meu próprio mundo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A arte do Camaleão

Nunca acho que tenho inspiração o suficiente para escrever algo por aqui.
Pelo menos hoje tenho um assunto. Mudanças.


Ch-ch-changes!
 Com o tempo tudo vai mudando e temos que mudar também. Quando crianças, achamos que o mundo é apenas diversão e descoberta. A primeira dose de responsabilidade - a escola - é sempre uma fase de adaptação muito brusca. Numa vida de apenas direitos, passamos a ter deveres. Por muitas vezes nos lamentamos pela "lição de casa", ou por "aquela aula chata"... É engraçado o fato de nunca estarmos satisfeitos!
Lá na escola, eu era a gordinha nerd que sofria bullying, e se estivéssemos num seriado ou filme dos EUA, eu provavelmente sentaria na mesa dos losers.

Bazzinga! 
No ensino médio eu mudei. Tomei umas injeções de auto-estima, me reinventei e vivi a melhor época da minha vida (meus amigos ETEanos... parte imprescindível da abdução!)

Depois veio a fase profissional... creio que essa seja tão difícil quanto àquela fase pré-escolar que falei acima: temos que abandonar o comodismo de ter que saber de tudo um pouco, por obrigação, e escolher algo para aprender por opção.

Confesso que de todas as alternativas de carreira que idealizei quando estava no ensino médio, acabei escolhendo um outro caminho que nunca havia imaginado. Afinal, eu gostava de história, literatura, português, inglês, artes e biologia... Mas queria fazer teatro também. Todos os meus amigos achavam que eu devia fazer... Mas eu também queria ser psicóloga. Achava bonito. Era tudo muito interessante, mas era tudo tão definitivo! E eu estava indecisa... Como todo bom indeciso nesse mundo... Cá estou hoje, administradora. Não sou frustrada, se é o que você está pensando.

Índice da minha sanidade nos últimos anos...
Depois de muito bater com a cabeça contra a parede, percebi que no fundo, nunca vou saber o que exatamente quero ser "quando crescer". Não é questão de destino ou dom. Não creio nessas coisas, e acho bobeira pensar que as pessoas nasçam predestinadas a serem alguma coisa. As pessoas são lindas, pois são adaptáveis, moldáveis, flexíveis. É o pensamento que muitas vezes nos deixa "congelados".

Em alguns aspectos, a adaptação das mudanças é tão fácil que você nem repara que mudou... Porém algumas outras mudanças doem mais, e nos custa um pouco para aceitá-las. Temos medo do estranho e do inseguro.
Eu mudo tantas coisas em mim... desde meu jeito de encarar as coisas, de fazer as coisas, de enxergar o mundo, meu corte de cabelo... afinal, quem não muda, não aprimora seus conhecimentos nunca! Não experimenta tudo o que precisa!
Então acho que posso me definir um pouco, assim. Uma mutante.

Como um mutante, no fuuuundo sempre sozinhoo ♫
E termino com uma citação de uma música que gosto muito. Tonight tonight, do Smashing Pumpkins:
"The more you change, the less you feel..."