sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O conflito

É como se em mim, funcionassem duas pessoas diferentes. É como se houvesse duas “eus” que não se dão muito bem. Não uma “verdadeira” e uma “falsa”. Ambas reais, porém diferentes.
Creio que para as pessoas ao meu redor, esses conflitos são imperceptíveis. Sou sempre aquela mesma “eu”. Mas para mim, essa situação é perturbadora.
Imagino-me dividida: um lado espontâneo e um lado moralmente fabricado. O segundo filtra o primeiro. O primeiro se oprime, e às vezes tenta ser mais forte que o segundo, porém este não permite.
Tantas coisas por dizer, tanto que eu penso sem querer, mas não digo. Minha moral fabricada às vezes não gosta do que ouve. Nem tanto por ser moral, mas que por ser fabricada, prefere o caminho menos complicado. Algumas verdades são engolidas por este filtro, que não as deixa passar.
“O que iriam pensar?”; “Eu não deveria pensar isso. -apagar-”; “Só iria dificultar. Então para que idealizar isso?”; “Ah, Adriana boba, nem ouse dizer isso, ninguém vai concordar!”; “Má ideia! Não posso dizer isso!”... Esses e outros tantos pensamentos similares, sempre me limitando. Um dos motivos de eu escrever pouco por aqui também é este... Minha moral fabricada acha que é idiotice tudo isso que ouso escrever. Tudo o que engasgo, que desabafo, que tento dizer de mim.
Sabe, queria romper algumas amarras... Mas me acostumei tanto a tantas coisas que me tornei alguém sem liberdade de mim. Sou tanto mais que isso, mas não me permito.

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